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O Cyberbullying à boleia do discurso de ódio

A comunicação social trouxe à baila um caso de agressão em contexto escolar, mais um deve dizer-se. Desta vez falamos de uma criança de nacionalidade nepalesa que foi agredida no espaço escolar. Uma agressão física perpetrada por colegas em superioridade numérica acompanhada de insultos, o que torna esta agressão também verbal.


Parece que estamos perante um caso de bullying, uma vez que conseguimos identificar a intencionalidade do comportamento agressivo em provocar dano ao outro, mas também presumir a possibilidade de repetição deste padrão agressivo. Percebemos igualmente o desequilíbrio de poder é entre os agressores e a vítima, não apenas pela superioridade numérica, mas também porque a vítima é vista como um alvo fácil e com escassos recursos para se defender e enfrentar esta situação. Fica claro que este comportamento agressivo não tem uma motivação de retaliação, ou seja, não parece resultar de ameaça prévia ou de provocação.


Neste caso, sabe-se que a agressão foi filmada por um dos agressores, sendo esta atitude igualmente uma forma de agressão, e foi difundida nas redes sociais. Vemos aqui que as fronteiras físicas do bullying foram pulverizadas e entramos também no domínio do cyberbullying. Em particular verificamos aqui a presença de um fenómeno chamado Happy Slapping quando a agressão depois de ser registada em vídeo ser partilhada online.


A agressão parece ter na sua base uma atitude discriminatória e xenófoba e a ação da escola parece ficar aquém no que diz respeito às consequências. Não houve denúncia da situação e apenas um dos agressores foi suspenso. Este silêncio parece ser muito ruidoso e nos casos de agressão, o silêncio protege sempre o agressor e não as vítimas. Neste caso, a vítima foi transferida de escola e apresenta sintomatologia consequente aos episódios de vitimação.


Deverá ser exigido à escola maior vigilância e uma política clara neste sentido, bem como um trabalho prévio e de intervenção precoce ao nível das competências pró-sociais e da empatia. A agressão não pode ser banalizada nem branqueada, pelo que ao fazê-lo estamos sempre a ser cúmplices da agressão.


Podemos e devemos estar atentos. Podemos e devemos exigir mais das escolas e das famílias, porque o trabalho que deve ser feito tem que ser sempre a montante e não apenas a jusante da agressão. Esta tarefa é uma responsabilidade partilhada por diferentes agentes e todos têm que ser envolvidos.


A silenciar algo que seja o discurso de ódio e não as vítimas.


Mário Veloso, psicólogo clínico do NICO e da Consulta de Perturbações da Personalidade e Perturbações de Ansiedade em Adultos do PIN Partners in Neuroscience (mario.veloso@pin.com.pt)


 
 
 

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